31 agosto, 2010

Walking alone


«I'm walking down this road alone and figured all I'm thinking about is you, is you
And my head is in a cloud of rain and the world it seems so far away and I'm just waiting to fall and sink into your tears» [C.C.]

30 agosto, 2010

A corda bamba



Sinto um arrepio.
Sinto um choro dentro de mim que quer devorar o mundo. Devorar ou devastar. Destruir os podres e as maldades que assombram as vidas de quem nada de mal fez. De quem não merece. Pobre de ti! Pobre de nós que sofremos para sobreviver. É injusto! É tão triste!
A revolta, a fraqueza, o sofrimento fazem-te delirar de raiva. Começo também eu a sentir essa raiva. O medo de odiar, de viver este tormento mata-te por dentro. Mata-nos!
Será que terá fim? Quando? E qual será? Tenho medo… tanto medo!
Tantas certezas e incertezas levam-nos à insanidade. Sem saber o que fazer e como agir, enlouqueço. Sofro em silêncio. Choro no escuro da solidão. E vejo. Vejo a grande queda de uma vida tão simples e tão bela.
Tanta raiva! Tanto medo!
Sinto-me inútil.

RN

21 agosto, 2010

Pensamento do dia

«Problemas a gente não precisa de inventar. Eles aparecem todos os dias à nossa porta» [P.M.]

A reflectir...

«A vida é como o sexo: se você deseja um final feliz, não se apresse»
[Hilal, em O Aleph, de P.C.]

É o país que temos...

Parecia tão perto, mas afinal ainda está tão longe.
É frustrante! Querer, lutar e não se alcançar.
Este país tem tudo e não tem nada. Temos sol, praia, mar, verde, serra, neve, chuva. Ingredientes estes que poderiam ser a chave de uma confecção perfeitamente elaborada. Mas a magia perde-se quando se olha para as desigualdades que nos rodeiam. País de aparências que prefere viver na ilusão da lamentável realidade.
Bolsos cheios roubam as linhas que cozem os bolsos vazios. É arrebatadoramente triste! Lamentável diria. É vergonhosa a vida ridiculamente ostentosa que uns levam, assistindo à fome de outros. Agarrando no título do filme «Este país não é para velhos», muito interessante por sinal, atrevo-me a intitular Portugal com «Este país não é para mim».
Defendo o meu país, orgulho-me da minha pátria, sinto o que vivo, mas (in)felizmente vejo, oiço e leio. Orgulho-me da nossa história: país pequeno com grandes heróis e descobertas. Um dia o Mundo foi nosso! Mas infelizmente um dia o poder cegou-nos e fez-nos cair no abismo que ainda hoje nos assombra. Penso no que fomos e penso no que somos. A questão até tem a sua piada, lá isso é verdade! É tão notável o quanto evoluímos como indivíduos, como o que regredimos como nação.
Esta crise é mundial, não há dúvida. Mas porquê tanto alarido em Portugal? Pergunto-me se algum dia, após a ditadura de Salazar, não estivemos em crise?! As barras de ouro desaparecidas de um cofre misteriosamente mal fechado deram a este povo o dom da solidariedade. Sendo assim, e analisando bem os factos, é fácil responder a esta questão: sejamos solidários com o Mundo! Estão todos em crise, então nós também. Que estratégia perfeita: aproveita-se para passar a imagem aos mais ignorantes que a culpa não é nossa, mas que forçosamente entramos nesta grande bolha que é a crise mundial. Assim, ainda se consegue roubar mais uns tostõezinhos ao pobre ignorante que nada tem.
Um dos recentes exemplos de solidariedade deste país não me passou ao lado. A trágica situação da Grécia, que pouco difere da nossa sejamos honestos connosco próprios, comoveu-nos de tal forma, que oferecemos 2 mil milhões de euros em sua ajuda. O curioso é que tal decisão não precisou do consentimento de qualquer um de nós. Incrível! Depois de alguns aplausos, pergunto, ironicamente, se esta irrisória quantia foi suficiente? A mim pareceu-me pouquíssimo, porque não lhes dar tudo o que nos resta? Viva às aparências e à burrice!
Mais curioso ainda é a opinião de economistas portugueses, como é o caso de Filipe Garcia, quando refere que «se a situação grega se complicasse ainda mais, haveria um contágio aos restantes países periféricos da zona euro, como Portugal». Aqui coloca-se uma questão na minha cabeça, será que a Alemanha está assim tão longe da zona periférica para não ser atingida? Sem palavras. Economistas e doutores opinam ainda, que as vantagens resultantes desta ajuda, se tudo correr como previsto (e se assim não acontecer?), serão superiores ao esforço implicado. Vejo aqui outra curiosidade quando se trata da opinião de indivíduos que ganham mais do dobro do salário do cidadão comum.
É hilariante o quão solidários nós somos, que preferimos ver os nossos com fome a ver os outros. Definitivamente, voto na entrega do prémio Nobel de Bom Coração para Portugal. Ou então o da estupidez. Sim, acho que este último nos assentaria que nem uma luva.
A ganância individual, a corrupção e a burrice assombram o sol deste país. Revolta-me ver o pobre a trabalhar e a desesperar por 475€ por mês, que são nada mais que a conta certa para pagar a renda, as despesas da casa e a alimentação, chegando mesmo a faltar dinheiro para dar de comer aos filhos. Viva a salários miseráveis! Viva a impostos e preços altíssimos! Viva! Viva! Como é possível que bens tão essenciais como o pão não se encontrem por menos de 0,75€, ou seja 150 escudos. Por vezes convém fazer-se esta conversão para que a consciência do verdadeiro valor desça aos nossos olhos. 150$00 por um pão, onde o ordenado que entra na maioria das casas portuguesas não chega a 100 contos, ou seja 500€. Ridículo! Ainda se torna mais ridículo quando se está a falar de um país, em que as reformas são acumuláveis com outras reformas, onde indivíduos rotulados de doutores, deputados, ministros, e sabe-se lá mais o quê ganham milhares de euros por mês, roubando tudo o que podem aos que pouco ou nada têm.


Viva à corrupção! Viva à hipocrisia! Viva à desordem e à troca de prioridades! Viva aos submarinos! Viva às aparências! Viva à injustiça social! Viva a Portugal!

RN

As pequenas ditaduras...


Incrível!
Quando se olha em nosso redor e se pensa que tudo vai correr bem e vai ser harmoniosamente vivido, acontece alguma coisa e tudo muda. Ou é o meu pensamento que me relembra dos meus problemas ou surge alguém no papel de ditador a querer mandar e desmandar em tudo e todos. As pessoas não são bonecos! Irra! Mas que sina! Há pessoas que me tiram do sério. O nível de controlo exigido é tão alto que me sinto um balão prestes a explodir. De certeza que já te aconteceu: sentires-te claustrofóbico, ansiando a liberdade, a paz e o sossego.
Tudo se torna ainda mais complicado quando alguém te bombardeia com perguntas e respostas; ordens e conselhos descabidos; palavras e monólogos que parecem não findar. Mas que tormento! O silêncio torna-se a minha escolha. Acabo por desligar do mundo: penetro o que vejo, envolvo-me nos meus pensamentos e finjo dar ouvidos a quem apenas se vê e se ouve a si próprio. O mundo corre, as situações acontecem e as coisas alteram-se.
O ser humano distingue-se dos outros seres por ser racional. Com isto entenda-se (minimamente) inteligente e com inúmeras capacidades. Porém, é aterrador o número de pessoas que vivem no desequilíbrio. Preferem falar, falar e falar. O equilíbrio é bom e nunca é demais. A lógica inerente à célebre frase de Zenão de Cítio, filósofo grego, «a natureza deu-nos duas orelhas e uma só boca para nos advertir de que se impõe mais ouvir do que falar» dispensa quaisquer comentários.
É uma virtude saber explorar todos os nossos sentidos e capacidades. Hoje sinto-me com vontade de trabalhar exclusivamente o pensamento e a fala. Não que me apeteça falar, mas sim gritar, gritar para te calares e ouvires o mundo que suspira (in)cansavelmente por silêncio, respeito e liberdade.

Agradeço que a minha liberdade seja respeitada!
«Só peço para ser livre. As borboletas são livres.» [Charles Dickens]

RN

11 agosto, 2010

Paraíso escondido


Isto é real.
Que lugar magnificamente belo: as árvores, as pedras, a terra, a água. Os diferentes tipos, tamanhos e cores das pedras jogam harmoniosamente com a cor alaranjada da terra, preenchendo a transparência da água. O verde das árvores encobre todo este cenário, graciosamente escondido e salvo das mãos humanas. O cheiro, o som, as cores, o enquadramento... tudo tão perfeitamente desenhado. Que encanto!
À procura do nada, descobri este lugar. Não resisti: parei o carro, saí e toda esta magia me encantou. Que beleza! Como a natureza é fascinante!
Se me dissessem que um lugar destes estaria tão perto de mim, não acreditaria. Calmo, simples, deslumbrante, natural, saudável, perto e longe do Mundo... perfeito para me refugiar, para pensar, para escrever, para fotografar e para partilhar. Partilho-o contigo, presenteando-te com esta foto.
Encontrei um paraíso perdido na civilização.

RN

«O paraíso terreno está onde eu estou.» [Voltaire]

10 agosto, 2010

Sem chão...



Sentimentos fortes e confusos abalam o meu coração e consomem os meus olhos.
Neste lugar onde há tempos estivera, a calma e a beleza inerentes a esta linda paisagem enchem-me novamente de força.
Não consigo parar de pensar, de imaginar e de sentir. A minha vida parece um puzzle. Um puzzle com milhares de pequeníssimas peças de tal forma misturadas que parece não haver ordem possível. Tanta coisa mudou. Que reviravolta inesperada. Sinto-me sem chão. Sinto que perdi os meus alicerces. Onde me devo apoiar? Para onde devo caminhar? Estou perdida num mundo em que as dificuldades e as injustiças insistem em imperar.
Momentos de dor, tristeza e medo têm preenchido os meus dias. Que dor. Dói-me tanto! Sinto que tudo o que conquistei se está a desvanecer. Tudo se resume a Carpe Diem. Como esta expressão faz, hoje, sentido. Inúmeras questões entopem meu pensamento: Que rumo tomar? Que estratégia adoptar? Que fazer? Que pensar? Não sei! Não sei! Não sei! Que frustração! Não tenho outra resposta se não esta. Vejo tudo fora de controlo. Sinto-me incapaz de lutar contra o inevitável.
Lá estou eu a divagar… os meus pensamentos reflectem a desordem que se instalou na minha vida. Sinto-me diferente. Sinto tudo distante. Sinto o mundo tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe.
Preciso de férias desta angustiada fase. Sonho com o dia em que acordo e, finalmente, tudo volta a ser como antes. A diferença estaria na forma como iria aproveitar cada pessoa e cada momento. Seria tudo tão vivido, vivido como se fosse o último minuto da minha vida.
Só se aprende quando se erra, quando se vive. Mas a tristeza é tão forte quando a consciência nos lembra que é tarde para voltar atrás. Mais um vez agarro nas palavras de António Feio «Aproveitem a vida e apreciem o momento», nunca deixando nada por dizer e/ou fazer. Que sábias palavras.

RN

«Aproveitem a vida e apreciem cada momento» [A.F.]

video

Sempre o admirei como pessoa e como o grande profissional que foi. A sua sinceridade, a boa disposição, o seu humor, a forma leve de encarar a vida cativavam-me.
Quando descobriu a sua terrível doença, revelou-nos o mais profundo do seu ser. A sua luta foi incessante e contagiante. Digo contagiante no sentido mais literal da palavra. Quando o via e ouvia na TV ou em posts na internet, quando lia as suas palavras em revistas ou jornais, sentia-me dividida. Nos primeiros instantes exaltava-se uma fraqueza, injustiça e até inutilidade. Via-me a mim própria como alguém, inevitavelmente, estúpido que tinha a sorte de ser (ou estar, talvez seja este o verbo mais adequado, uma vez que tudo na vida se resume a momentos) saudável e perder dias a lamuriar por pequenas coisas. Sentia-me, acima de tudo, uma idiota por sentir não aproveitar a Vida/Tempo como deveria. Minutos depois, era como se o meu corpo rejuvenescesse: sentia-me forte, segura de mim e capaz de tudo. Este homem conseguia, sem qualquer dúvida, transmitir o que sentia da forma mais correcta: fazia-me acreditar que tudo vale a pena e que tudo é possível.
Sozinha no meu canto e perdida nos meu pensamentos, resolvi (re)ver alguns dos seus testemunhos, nomeadamente a entrevista em «Alta definição» com Daniel Oliveira (jovem este que também carrega consigo uma grande história de vida). Pergunto-me se será possível alguém ouvir as suas palavras e não reter nada? Será possível alguém ficar indiferente a tamanha vontade de viver? Eu não!
Este homem marcou-me, ensinou-me a ver o outro lado da vida. Para quê complicar? Para quê desperdiçar? Para quê perder tempo? É ridículo esperar-se por avisos ou ameaças para sentir necessidade de aproveitar o tempo. Infelizmente, hoje existem inúmeros testemunhos de quem venceu ou foi vencido por bichos avassaladores, como é o caso do cancro. Tais testemunhos deveriam ser suficientes para começarmos a viver o presente, o imediatamente, com V maiúsculo.
Chega de futilidades! Chega de recear Viver! Chega de Guerras! Chega de perder tempo! Chega de corrupção! Chega! Chega! Chega!
Eu vou Viver! Vou abraçar o Mundo! Vou Amar sem medo! Vou entregar-me! Vou lutar pelo bem! Vou dizer-te hoje que gosto de ti com o único receio de não poder fazê-lo amanhã! Vou aproveitar cada momento e todos os momentos! Vou ser Feliz, Hoje!

Obrigada António Feio.
Descansa em Paz!

RN

02 agosto, 2010

The Paradox of our Age

«The paradox of our time in history is that we have taller buildings but shorter tempers; wider freeways, but narrower viewpoints. We spend more, but have less; we buy more, but enjoy less. We have bigger houses and smaller families; more conveniences, but less time. We have more degrees but less sense; more knowledge, but less judgment; more experts, yet more problems; more medicine, but less wellness.

We drink too much, smoke too much, spend too recklessly, laugh too little, drive too fast, get too angry, stay up too late, get up too tired, read too little, watch TV too much, and pray too seldom. We have multiplied our possessions, but reduced our values. We talk too much, love too seldom, and hate too often.

We've learned how to make a living, but not a life. We've added years to life not life to years. We've been all the way to the moon and back, but have trouble crossing the street to meet a new neighbor. We conquered outer space but not inner space. We've done larger things, but not better things.

We've cleaned up the air, but polluted the soul. We've conquered the atom, but not our prejudice. We write more, but learn less. We plan more, but accomplish less. We've learned to rush, but not to wait. We build more computers to hold more information, to produce more copies than ever, but we communicate less and less.

These are the times of fast foods and slow digestion; big men and small character; steep profits and shallow relationships. These are the days of two incomes but more divorce; fancier houses but broken homes. These are days of quick trips, disposable diapers, throwaway morality, one night stands, overweight bodies, and pills that do everything from cheer, to quiet, to kill. It is a time when there is much in the showroom window and nothing in the stockroom. A time when technology can bring this letter to you, and a time when you can choose either to share this insight, or to just hit delete.

Remember, spend some time with your loved ones, because they are not going to be around forever.

Remember to say a kind word to someone who looks up to you in awe, because that little person soon will grow up and leave your side.

Remember to give a warm hug to the one next to you, because that is the only treasure you can give with your heart and it doesn't cost a cent.

Remember to say "I love you" to your partner and your loved ones, but most of all mean it. A kiss and an embrace will mend hurt when it comes from deep inside of you.

Remember to hold hands and cherish the moment for someday that person will not be there again.

Give time to love, give time to speak, and give time to share the precious thoughts in your mind.

AND ALWAYS REMEMBER:
Life is not measured by the number of breaths we take, but by the moments that take our breath away.»


Dr. Bob Moorehead