26 novembro, 2011

Impenetrável.



A calma invade-me a alma num secretismo delicado. Num silêncio profundo, oiço meus pensamentos a sussurrar. Sem qualquer esforço. 
Num escuro tão claro e cheio de paz, a calma abraça-me... Sinto-me tão leve, ao ponto de nada sentir. Toco-me e não me sinto. Procuro movimentos em vão. Impenetrável, intocável, demasiadamente indesejável para neste mundo me sentir. Levito.
Que momento tão intensamente relaxante. 

RN

23 novembro, 2011

Mil e um...

por Shagagraf
         
Quantas são as vezes. Quantos são os momentos. Quantas são as lágrimas, tristezas, angústias, confissões. Entre pensamentos sós, introspetivos, egoístas, altruístas. Mil e uma razões para o grito, a dor, o desespero. Mil e uma razões para neste quarto, meu e só meu, ficar, penetrar e refletir. Perceber quem sou, quem quero ser e quem me é. Mil e um poderia ser um número ao acaso, mas não... contei e vi que de tudo posso falar através deste número tão certo e assertivo. A vida é assim, talvez tenhamos de viver mil e uma vezes para o perceber ou duvidar.
Num mundo tão cheio e ruidoso, existe um quarto calmo, onde tão só me compenetro, viajo e vivo. Somente eu.
Existe um riso, um sorriso... ou mil e um, talvez mais. Partilho-os. Entrego-os. Ofereço-os ao mundo mais belo e próximo deste meu doce quarto. 
                                                              
                                                                 RN 
         

      

19 novembro, 2011

Amar além da Vida


«Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar seria fácil.»

Clarice Lispector

'Mais Gentileza, Por Favor!'

por Fernanda Mello

Este vídeo fez-me pensar o quanto tudo isto é verdade. O quanto andamos sempre e tão ocupados com a nossa vida, com os nossos problemas, stresses e a constante falta de qualquer coisa, que nos tornamos tão individualistas, tão sós e tão incompletos.
Cada vez mais crescemos num Mundo, em que a generosidade, o respeito, a educação, a compreensão e a atenção deixam de pertencer ao conceito de 'ser-se Humano'. Vejo a crescer, de dia para dia, uma bola de neve que rebola, gira e destrói, sem meio de cessar.
Todos precisamos de uma palavra doce, de um abraço sentido, de um sorriso sincero ou de um silêncio tão profundo que nos enche a alma.
Pergunto-me o porquê de tanta competitividade, tanta ganância, tanta formalidade com 'você isto', 'o senhor aquilo', se no fundo somos todos fruto da mesma espécie, com problemas e vontades semelhantes. Respeito! Vamos apelar ao Respeito, à Gentiliza e à Sensibilidade!
Tudo aquilo que precisamos é exactamente o mesmo que o Outro precisa. Onde está a boa educação? O coração verdadeiro? Um simples 'Olá', 'como estás?', 'obrigada' não custa dinheiro, não paga imposto e fica tão bem... Sabe tão bem...
Valorizo muito o equilíbrio das coisas, da Vida. Admiro uma pessoa inteligente, mas uma pessoa gentil, bem educada tem muito a oferecer e a ensinar neste Mundo ruidoso.
'Gíria das nossas avós' ou não, temos de procurar não esquecer os bons modos, as palavras gentis, os olhares compreensivos, a simplicidade de Ser, os abraços sinceros e entregar o melhor de nós, desabrochando (pura e gentilmente) um sorriso no Outro.

RN

«Gentileza gera gentileza!»
[Profeta Gentileza]

«É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada.»
[William Shakespeare]


12 novembro, 2011

«O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!»

Florbela Espanca

Triste vazio

«A desilusão não se reflete pela tua falta de hoje. Resulta do tudo e do nada que tens feito. Mas a tristeza é maior! A tristeza que sinto é tão grande que mata toda a alegria que a vida me dá.
Amo-te demais! E morro ao ver que te estou a perder por entre os dedos. Nunca te esqueças de quem és e de onde és. Foste o mais desejado deste mundo. E és o mais amado ontem e hoje!»


Esta foi a resposta mais sincera e profunda que consegui dar a um pedido de desculpas (constantes) de alguém que tanto é para mim e que se está a perder num mundo corrupto, fraco e ordinário.
Mata-me olhar-te nos olhos e vê-los a pedir-me ajuda sem que tu te apercebas. O medo e o pavor enchem-nos de dor.
Que olhar lindo tinhas, cheio de vida, amor, alegria, rebeldia, saúde, energia... Hoje vejo um olhar baço, triste, sem motivação e sem vida. Porquê? Que raio andas tu a fazer? Sem qualquer tipo de autorização, sugestão ou conselho. Bem sei a verdade! Parte da culpa não é tua. Sei quem é o responsável por este roubo de identidade, de verdade, de vida. Pouco posso fazer, mas sei que em muito se vai tornar. Vai resultar e vais voltar. Eu vou ter-te de volta com o sorriso e a força que me contagiavam, que me faziam feliz.
A dose de dor, tristeza e mágoa que me consome é enorme. Mas esta overdose não me vai fazer desistir. Choro e grito para que a raiva que sinto me dê força para te fazer lutar e acreditar.


Um dia vou ter o teu sorriso de volta!


RN