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23 fevereiro, 2013

Brisa que foi. Cheiro que ficou.

Chove lá fora.
Saio e caminho por entre as gotas. E permaneço seca: seca por fora e seca por dentro. Preciso que alguma gota, por mais pequena que seja, me toque, me molhe e me mostre que não sou diferente de todos os outros que também caminham. Chuva que cai e não me molha. Alucino. Sinto medo.
Tantos caminhos, mas nenhum me parece lúcido. Tudo me foge. Não uso amarras, mas por breves momentos passa-me pela cabeça parar o tempo. Se pudesse escolher, congelaria aquele dia, aquele minuto em que tudo estava transparente, pleno de sorrisos e de felicidade pura. Mas tudo se transforma, tudo muda.
Hoje busco a calma e a serenidade que me fugiram. Cansada, percorro este caminho marcado pelo enigma da Vida, sujo-me de lama, mas nem uma gota de chuva me atinge. Corro em busca de algo que me conforte, mas nada sinto, senão o cheiro daquela brisa que vai e vem. Sinto-me frágil. Já não sei ao certo que brisa é esta. O cheiro é-me familiar, mas na vida tudo se confunde. Sinto que já não é a mesma brisa que um dia me abraçou e me confortou.
Ela foi e não voltou. Mas o seu cheiro em mim ficou.

RN 

16 maio, 2011

Aquele lugar (meu)

A chuva cai. As ondas do mar batem em mim com uma força incrível. Peço ao mar que me abrace e me leve para aquele lugar. O tal lugar que um dia a mim pertenceu e que abandonei sem pensar.
Regressei a um mundo cruel, confuso em que o perdão é tão raro e a mesquinhice tão frequente.
Sofro em silêncio e finjo que não te vejo nem escuto a meu lado. Quero perder-me nas horas, nos rios e nos caminhos desertos. Levem-me de novo ao 'meu' lugar.

RN

05 fevereiro, 2011

Amor de chuva

«Porque senti sempre dentro de mim, uma espécie de rio imenso, límpido, alvo e puro, a receber gotas de água, da chuva miudinha que caiu em toda a minha existência. Amparando-me até. Um amor verdadeiro que nos leva até ao fim do mundo da nossa imaginação sempre tão fértil. Rebuscamos momentos nunca esquecidos. Jamais ignorados. Eu tive esses momentos.»

[CC]

11 novembro, 2010

No silêncio...

Sinto um sopro. Um sopro que me relembra aquela vontade de Sentir, de Querer, de Ser. Contagio-me pelo som da chuva a cair e tudo parece mágico. A magia do que vivi, do que vivo e do que sonho viver. A simplicidade da vida é tão complexa que me perco na busca do meu horizonte.
No silêncio desta noite de inverno, ouvindo a chuva bater na janela, mergulho no escuro do quarto e os meus pensamentos atropelam-se sem nada dizerem em concreto. Os meus olhos ardem pela força de guardar sentimentos retidos, momentos vividos e sonhos perdidos. Pergunto-me que horizonte posso eu procurar se várias são as vezes que me perco na busca do meu Ser?
Busco a felicidade, a liberdade e o amor. Coisas inevitavelmente simples e complexas como a própria vida. Esta ironia consome-me, derruba meus pensamentos e minhas convicções.
Quero e não quero, estou e não estou, vou e não vou. Incertezas tão fúteis e tão profundas marcam o meu Ser com dúvidas incessantes. Dúvidas que me levam a desejar aquilo que um dia tive e a querer aquilo que nunca tive. Que incertezas são estas que consomem os meus actos e apoderam-se de meus pensamentos?
Sinto uma nostalgia do meu tempo de criança, em que momentos tão sofridos são hoje relembrados com um sorriso no rosto. Este momento, este som, esta chuva é semelhante às gotas de água que ouvira no meu quarto cor-de-rosa; a mesma cor dos meus sonhos de infância.

RN