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05 abril, 2012

Mariposa livre. E silenciosa.

Está vento. Está a chover. Chegou a Primavera, mas parece que trouxe consigo um pouco do Inverno que não nos visitou nos últimos meses.
O mar está revoltado. E eu entendo-o. Se me pudesse transformar em ondas e marés, estaria como ele: escuro, frio, agitado... Onda atrás de onda, preenchendo os silêncios perdidos com uma rebentação forte e estrondosa.
Os pássaros voam e balançam contra o vento frio e destemido. Que dia friamente lindo!
Os meus cabelos abraçam o vento e, de um jeito rebelde, único e apaixonado, levito. Sinto o meu corpo tão leve e tão fraco comparando com esta maravilhosa Força que me controla. Sinto-me como uma mariposa dançante, que voa, voa, dança e sorri.
Ao som da Natureza, o meu corpo mexe, balança e levita, transportando a luz necessária para que tudo se transforme: o mau desvanece-se, dando lugar ao bem; o feio transforma-se em belo e Tu voltas para completar aquele lugar vazio que deixaste. Sinto um novo perfume: suave e caloroso, capaz de me fazer dançar a um ritmo cada vez mais intenso.
De um jeito perfeitamente harmonioso, danço num remoinho de emoções, sentimentos, cheiros e recordações. Uma enorme nostalgia me invade. Tudo se agita, tudo se transforma. 
Dou por mim exausta, parece-me tudo um delírio com perfume a maresia. Sinto-me livre, leve e mais forte.
Abro os olhos e sorrio. Os meus pés estão assentes nesta rocha coberta de areia húmida e gélida.
Mas, ainda, me sinto uma mariposa livremente silenciosa.


 RN

17 setembro, 2011

Nas profundezas...

Procuro-te!
Procuro-te em cada onda! Toda a onda que nasce, cresce e morre de uma forma estrondosamente mágica. 
Mergulho, abrindo os olhos na esperança de te ver nas profundezas mais puras da vida. Mas não te encontro.
Subo e, num ápice, sou enrolada, levada por uma corrente tão forte, que me abraça, acarinha e me consola.
É a minha onda! Aquela que sempre me procurou. Levou-me, e nunca mais voltei.
Escrevo, hoje, numa cristalina pedra, que no fundo deste meu mar encontrei.

RN